Tipologia Argumentativa

  • CARTA ABERTA AO CREMESP

    CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SÃO PAULO

    Nós, ex-presidentes do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, vimos a público conclamar o CREMESP para que se posicione enfaticamente a favor da ciência médica e da vacinação contra a Covid-19.

    A chegada das vacinas revela a extraordinária vitória da ciência, primeiro grande passo para deter a tragédia sanitária que já tirou a vida de mais de 200 mil cidadãos brasileiros, com 50 mil mortes registradas em nosso estado.

    No entanto, o êxito da campanha de vacinação, que terá início em breve, pode ser ameaçado por informações falsas, conteúdos enganosos e distorcidos, amplamente disseminados.

    Infelizmente há médicos que engrossam as fileiras da desinformação catastrófica. Desde o início da pandemia, profissionais com registro no CREMESP têm promovido medicamentos sem qualquer evidência científica para prevenir e tratar a Covid-19, além de contestarem medidas comprovadamente eficazes, como o uso de máscaras, o distanciamento social e, agora, as vacinas.

    Ressaltamos que a autonomia do médico não é ilimitada. O próprio Código de Ética Médica subordina a autonomia profissional a procedimentos cientificamente reconhecidos.

    Repudiamos a ausência de escrúpulos daqueles que violam princípios éticos e desrespeitam a dignidade humana.

    A divulgação de informações falsas é um crime contra a saúde pública, pois leva cidadãos a se infectar, adoecer e transmitir o vírus.

    É obrigação dos Conselhos Regionais de Medicina, prevista em lei federal, defender a saúde da população e o exercício ético da profissão.

    Entretanto, não vemos qualquer pronunciamento do CREMESP sobre medidas legais e administrativas, respeitado o rito processual, a serem tomadas em relação à disseminação de notícias falsas por médicos durante a pandemia.

    O CREMESP sequer se posicionou a favor das evidências científicas, como preconiza o Código de Ética Médica.

    O momento é crucial: sem a total adesão dos médicos e da população às vacinas dificilmente iremos conter a pandemia.

    POR ISSO, CONCLAMAMOS:

    Que o CREMESP, com urgência, venha a público, na condição de representante dos 154 mil médicos paulistas, e defenda com veemência a vacinação para todos.

    Que o CREMESP se dirija à população, explicando os benefícios, a segurança e a eficácia das vacinas contra a Covid-19.

    Que o CREMESP promova a importância da adesão à vacinação, bem como o uso de máscaras e o distanciamento social, enquanto a imunidade individual e coletiva não for alcançada.

    Que o CREMESP cumpra sua função legal e adote medidas enérgicas em relação a qualquer médico que se posicione contra as vacinas ou espalhe informações falsas neste momento.

    Em defesa da vacina, da ciência, da saúde pública e da vida!

    Assinam esta Carta Aberta TODOS os ex-presidentes vivos do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo:

    Bráulio Luna Filho
    Clóvis Francisco Constantino
    Desiré Carlos Callegari
    Fernando Leite de Carvalho e Silva
    Gabriel David Hushi
    Gabriel Wolf Oselka
    Guido Carlos Levi
    Isac Jorge Filho
    João Ladislau Rosa
    Lavinio Nilton Camarin
    Luiz Alberto Bacheschi
    Mauro Gomes Aranha de Lima
    Pedro Henrique Silveira
    Renato Azevedo Júnior

    São Paulo, 12 de janeiro de 2021

  • Relatório de prática

    Inhotim: um passeio pela arte contemporânea

    Tema: Visita ao Instituto Inhotim

    Ano:

    Aluna: Naiara M.

    No último sábado de fevereiro, nossa turma visitou o Instituto Inhotim, em uma atividade de estudo sobre a arte contemporânea para a disciplina de Literatura.

    O Instituto Inhotim localiza-se na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, a 60 km da capital Belo Horizonte. Consiste em um complexo museológico que comporta o maior acervo de arte contemporânea ao ar livre da América Latina. O espaço é formado por parque ecológico, jardim botânico, lagos, pavilhões e galerias ao longo de toda a sua extensão, além de locais para alimentação e lazer.

    O museu conta com exposições permanentes e temporárias, que se estendem por todo o local. Ou seja, as obras não ficam concentradas em um único espaço, mas espalhadas pelas galerias e mesmo ao ar livre, de modo que o visitante passa por uma verdadeira imersão na natureza para conhecer todas as exposições.

    Entre as fascinantes obras expostas, a que mais me interessou foi a chamada “Desvio para o vermelho”, de Cildo Meireles, um quarto inteiro decorado na cor vermelha, desde os móveis, passando pelo tapete e quadros até os objetos menores e mais simples. No quarto, é possível notar o contraste entre épocas, pois há uma mescla de objetos antigos, como uma máquina de escrever, com objetos mais novos, como um notebook – todos eles vermelhos. É impossível despregar os olhos dos itens que compõem o ambiente, tão monocromáticos e, ao mesmo tempo, tão diferentes entre si.

    Outra obra que chama a atenção é a Troca-troca, de Jarbas Lopes. São três fuscas coloridos, interligados por um sistema de som. Antes os carros ficavam expostos no jardim do parque, o que acabou fazendo com que perdessem um pouco da cor. Mas, em 2017, os fuscas foram restaurados e agora ficam na parte coberta do museu.

    LOPES, Jarbas. Troca-troca. 2002. Fuscas com aparelhagem de som. Dimensões variáveis.

    Para os amantes da arte contemporânea, o Inhotim é uma visita imperdível. Com tantas exposições e mostras, o visitante respira arte para todos os lados, sendo impossível conhecer tudo em um único dia.

    Para aqueles que apenas buscam um espaço tranquilo para relaxar e observar a natureza, o Instituto também não deixa nada a desejar, com seus imensos espaços verdes, enormes bancos de madeira e lagos pacíficos.

    Definitivamente, a visita ao museu foi muito proveitosa e positiva, e pudemos conhecer e entender melhor a arte contemporânea em suas diferentes formas.

  • Barbra Streisand clonou seu cão – o que é meio errado e completamente sem sentido

    Clonar pets, além de causar sofrimento a animais que já estão vivos, não adianta nada: genes iguais não garantem personalidades iguais.

    Eu reconheço um episódio de Black Mirror quando vejo um. Por isso tomei um susto desgraçado quando li, na última sexta, que a cantora Barbra Streisand havia encomendado um clone de seu cachorro morto por 50 mil dólares. Dei um belo beliscão no braço para ver se eu estava mesmo no escritório, e não no sofá de casa, assistindo à quinta temporada numa pré-estreia exclusivíssima. Depois, dei um rolê rápido no Twitter e descobri que quase todo mundo achou a ideia ótima. Fofa.

    Antes de começar o textão, uma ressalva básica: eu, infelizmente, nunca saí na rua para lutar pelos direitos dos animais. E, apesar de achar o vegetarianismo uma ótima ideia – não só do ponto de vista ideológico como do científico também -, me falta força de vontade para segui-lo. Não vou tentar arranjar desculpas para essa preguiça. Eu concordo plenamente que pessoas vão longe demais nessa história de confundir animais com objetos inanimados. E é esse ponto de vista que vou defender aqui.

    Para começo de conversa, produzir clones usando o método da ovelha Dolly só é simples na teoria. Vamos revisar: você pega o núcleo de uma célula, que contém o DNA do animal que será copiado, e o insere no óvulo de uma fêmea qualquer. Depois, pega esse óvulo e o implanta no útero de uma segunda fêmea, que levará a gestação adiante.

    A chance de o processo descrito acima dar errado é muito grande. Quando Dolly foi clonada, foi a única que vingou entre 29 embriões, implantados em 13 úteros. Snuppy, o primeiro cachorro clonado da História, é o único sobrevivente entre outras 94 potenciais cópias, que não sobreviveram à gestação. É óbvio que, duas décadas depois, a técnica já é bem mais eficiente. Em 2014, a China já estava clonando porcos para fins industriais com taxas de sucesso entre 70% e 80%. Mas ainda há uma margem de erro razoável aí, que precisa ser compensada por meio da criação de mais de um óvulo e da inseminação de mais de uma fêmea.

    Em outras palavras, empresas como a que Streisand contratou para xerocar seu pet se aproveitam de cadelas anônimas, que fornecem úteros e óvulos (cuja extração envolve estimulação hormonal e intervenção cirúrgica). Há uma entrevista detalhada sobre isso na Scientific American, e esta reportagem relata a rotina de uma empresa sul-coreana especializada no ramo. É no mínimo sacanagem usar e abusar de dezenas de Canis lupus familiaris para gerar um único exemplar de um animal da mesma espécie, só por causa de sua aparência física. A única diferença entre o coton du tulear de Streisand e o vira-lata do boteco é que um nasceu em berço de ouro, com pedigree, e o outro na esquina. Cachorro para adotar é o que não falta nesse mundo.

    […]

    Disponível em: https://super.abril.com.br/blog/supernovas/barbra-streisand-clonou-seu-cao-o-que-e-meio-errado-e-completamente-sem-sentido/. Acesso em: 16 set. 2020. [Fragmento]

  • A viralização do senso comum

    Quem já recebeu alguma mensagem via WhastApp informando que o governo vai confiscar a caderneta de poupança ou que o Congresso vai votar um projeto que acaba com o 13º salário? Outro conteúdo falso que “viralizou” no Facebook nos últimos tempos se refere ao auxílio-reclusão, que seria pago diretamente ao criminoso, ou, ainda, que o benefício se multiplicava conforme o número de filhos do preso ou da presa.

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  • Em defesa do voto obrigatório

    Existe, no senso comum, um mal-estar em relação ao voto obrigatório. Toda obrigação incomoda. Este fato, indiscutível, favorece os defensores do voto facultativo, que, ademais, apresentam sua proposta como expressão da postura libertária e como fator de desmonte de algumas distorções que, de fato, existem em nosso sistema eleitoral.

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  • “Tá com dó do refugiado? Leva pra casa!”

    “Tá com dó? Leva para casa!” é uma daquelas frases icônicas, através das quais consegue-se avaliar se o interlocutor merece respeito ou um abraço forte e solidário. É utilizada por pessoas com síndrome de pombo-enxadrista (faz sujeira no tabuleiro, joga ignorando regras mínimas de sociabilidade e sai voando, cantando vitória), normalmente diante do clamor para políticas voltadas àquela gente pobre, parda, perdida ou violada que habita as frestas das grandes cidades.

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  • Direitos Humanos: do papel para a prática escolar

    As primeiras declarações dos Direitos Humanos datam do século 18 e, desde então, assistimos, em nível global, ao avanço no reconhecimento dos valores básicos para a vida e a dignidade humanas. Como, também, ao aprimoramento dos instrumentos legais para desenvolver sociedades justas, igualitárias e democráticas. No Brasil, a Constituição de 1988 é considerada um documento muito adiantado nessa questão. Ela estabelece, por exemplo, que são objetivos fundamentais da República “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” e “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

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  • Se a publicidade infantil é proibida, por que continua existindo?

    Em eventos, entrevistas e redes sociais, não é raro que me façam a seguinte pergunta: se a publicidade infantil é proibida, por que ela continua existindo? A resposta é simples, ainda que inaceitável: ilegalidades acontecem diariamente porque nossas leis não são cumpridas por aqueles a quem elas se dirigem.

    No caso da publicidade infantil, muitas empresas insistem em fazer com que as normas que protegem as crianças brasileiras frente à publicidade não peguem, em defesa exclusiva de seus interesses comerciais. Assim anunciam brinquedos, roupas, materiais escolares, alimentos, parques de diversões, produtos de higiene para os pequenos em canais de televisão, dentro de escolas, nos pontos de venda, em eventos em praças, nos jogos na internet, em canais de youtubers, e por aí vai.

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  • Museu de cinzas

    Incêndio na Quinta da Boa Vista aniquila parcela importante da memória nacional

    “O que a Folha pensa”, 4 de setembro de 2018.

    Não será de todo arbitrário tomar o incêndio que destruiu o Museu Nacional como uma metáfora da situação em que se acha o país. Instituições e serviços do Estado passam por grave crise, na penúria criada pela deterioração orçamentária em todos os níveis de governo.

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  • Como garantir o direito à água para todos

    Carlos Bocuhy, 16 de março de 2018.

    A Organização das Nações Unidas (ONU), em sua resolução de 2015, definiu que a água e o saneamento são direitos fundamentais de todos.

    Todo ser humano tem direito a esse bem tão precioso, e cada vez mais escasso, em quantidade suficiente, aceitável para uso pessoal e doméstico. No Brasil, porém, essa determinação, feita em assembleia geral da ONU, está longe de ser cumprida.

    Apenas uma parcela da população brasileira usufrui em condições adequadas da água para a sua sobrevivência. Às vésperas do Fórum Mundial da Água e do evento paralelo, o Fama, que acontecem no Brasil pela primeira vez, em Brasília, entre 18 e 23 de março, é essencial uma ampla discussão de como garantir a água para todos.

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