Textos Dramáticos

  • Auto da compadecida

    CHICÓ — […] Padre João! Padre João!

    PADRE — (Aparecendo na igreja.) Que há? Que gritaria é essa?

    Fala afetadamente com aquela pronúncia e aquele estilo que Leon Bloy chamava “sacerdotais”.

    CHICÓ — Mandaram avisar para o senhor não sair, porque vem uma pessoa aqui trazer um cachorro que está se ultimando para o senhor benzer.

    PADRE — Para eu benzer?

    CHICÓ — Sim.

    PADRE — (Com desprezo.) Um cachorro?

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  • Arlequim, servidor de dois amos

    ARLEQUIM — Mas essa é boa mesmo! Tanta gente não consegue sequer arranjar um patrão, e eu arranjei dois. Dois patrões, vejam só! Mas como é que vou fazer? Não posso ser o criado dos dois. Não posso? Espere aí; quem foi que disse que não posso? Por acaso, não é um bom negócio ganhar dois ordenados e comer dobrado? É sim, se eles não souberem um do outro. E se descobrirem? Não perco nada: se for despedido por um, fico com o outro. Vale a pena tentar. Ainda que fosse por apenas um dia, vou tentar. Terei feito um bom negócio. Ânimo! Vamos ao correio para ambos! […]

    ARLEQUIM — Aqui estou, patrão. […]

    FLORINDO — Você foi ao correio?

    ARLEQUIM — Sim, senhor.

    FLORINDO — Havia cartas para mim?

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  • A trágica história de Hamlet

    (Entram Horário, Marcelo e Bernardo)

    HORÁCIO — Deus guarde a Vossa Alteza.

    HAMLET — Alegra-me rever-te com saúde… Horácio, se a memória não me falha.

    HORÁCIO — O mesmo criado, príncipe, de sempre.

    HAMLET — Amigo, amigo; é o nome que eu te dou. Qual a razão de haveres tu deixado. Vitemberga?… Marcelo?

    MARCELO — Meu bom príncipe…

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