Texto Jornalístico

  • O que precisamos é de menos enzima que come plástico e mais vergonha na cara

    Contar com recém-descoberta para destruir novas gerações de lixo é irresponsabilidade

    Meses antes de morrer, o genial físico inglês Stephen Hawking cometeu a imprudência de proferir uma frase que marcou negativamente a luta de muitos que consagram suas vidas em defesa deste planeta.

    “Estamos ficando sem espaço aqui e os únicos lugares disponíveis para irmos estão em outros planetas, outros universos”, disse Hawking, ignorando talvez o efeito devastador que seu diagnóstico teria sobre os que acreditam que ainda há tempo e recursos para virar o jogo.

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  • Espiral da desigualdade

    Metade de toda a riqueza da Terra pertence ao 1% mais rico da população mundial. Essa é, provavelmente, a maior desigualdade que já existiu

    Nesses últimos anos, diversos relatórios de organismos internacionais têm chamado atenção para o rápido aumento da desigualdade no mundo.

    Os números são alarmantes: segundo a Oxfam, rede de ONGs inglesa, as 85 pessoas mais ricas do mundo concentram a mesma riqueza que os 3,5 bilhões de pessoas mais pobres. Além disso, durante a última crise econômica, o número de bilionários dobrou: passou de 793 para 1.645 pessoas entre 2009 e 2014.

    Atualmente, metade de toda a riqueza do mundo é detida pelo 1% mais rico da população mundial. Essa é, provavelmente, a maior desigualdade de riqueza que já existiu na história.

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  • A bandalha dos ciclistas

    Fui atropelada por um ciclista na calçada do Leblon, no Rio de Janeiro. Estava parada, falando ao celular. Ele levava a namorada de shortinho no guidão. Se eu tivesse 20 anos e uma garota com aquelas pernas no meu campo visual, provavelmente não enxergaria mais nada. Além de bater na minha coluna lombar, ele foi levando com o guidão minha roupa e, por isso, parou. Pediu desculpas.

    “Fazer o quê? Desculpo. Mas você sabia que é proibido pedalar no espaço de pedestres?”, falei. Entrou por um ouvido, saiu pelo outro. Ele continuou rumo à orla, para gozar a luz extra do horário de verão, a ansiedade e os hormônios a 40 graus, em ensaio para a estação de gala do Rio. Uma estação de delícias e dores. Algum ciclista, naquele exato instante, poderia estar atropelando numa calçada sua mãe, sua avó, sua irmãzinha pequena.

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  • Língua para todes: um ensaio sobre o gênero neutro

    O português é uma língua conhecida por marcar gênero. Mas o que isso significa e como essa discussão tem mobilizado ativistas LGBTQIA+ para que repensemos seu uso? A linguista Jana Viscardi escreve sobre permanência e mudança nas línguas

    É bem provável que você venha se deparando com a vogal “e” no fim de algumas palavras, como no título deste artigo. Às vezes essa flexão se dá pelo uso do “x” ou do “@” (todxs, tod@s), mas não se restringe a essas variações. O recurso vem ganhando popularidade porque ativistas LGBTQIA+ passaram a questionar a variação binária de gênero no português. Quem não se identifica com o pronome feminino ou masculino encara como violência uma designação do tipo. A discussão, acalorada nas redes sociais, extrapolou a internet e transformou-se em debate político. Em novembro, um tradicional colégio carioca, o Liceu Franco-Brasileiro, adotou a neutralidade em sua comunicação. Dias depois, o deputado federal Junio Amaral (PSL-MG) apresentou projeto de lei para proibir o uso da linguagem em instituições de ensino e bancas examinadoras no Brasil. Na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) tomou medida parecida e quer proibir o uso de “novas formas de flexão de gênero e de e de número” do português. Ou seja, banir a neutralização de gênero no vocabulário. A medida valeria nas escolas municipais mantidas pela Secretaria Municipal de Educação, na rede particular de ensino da cidade e em editais de concursos da Prefeitura. O projeto ainda prevê punições para os colégios particulares que desobedecerem a medida, como advertência e suspensão do alvará de funcionamento.

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  • Espécies raras e corais: óleo vazado no Nordeste ameaça biodiversidade

    Além das belezas naturais, a costa nordestina é marcada por uma biodiversidade pouco encontrada nos mares pelo mundo. É nela que está, por exemplo, a segunda maior barreira de recifes do mundo e diversas espécies ameaçadas de extinção. Todos correm risco por conta do vazamento de óleo que já atingiu 62 municípios da região.

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  • Vingadores: Ultimato

    Em um estalar de dedos, Vingadores: Guerra Infinita encerrou-se com o impensável. Quando metade do universo foi levada às cinzas e Thanos (Josh Brolin) desapareceu com as Joias do Infinito, pouco se imaginava sobre aonde o Universo Cinematográfico Marvel iria em seguida, a não ser pelo fato de que seus heróis buscariam o que seu título indica: vingança. Fora a busca por retribuição, os acontecimentos de Vingadores: Ultimato continuaram guardados a sete chaves, gerando uma espécie de ansiedade que já parecia conferi-lo um status mítico dentro do cinema de super-heróis. O que ocorre, afinal, depois do impensável?

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  • Bullying deixa marcas para a vida toda — até em quem não é a vítima

    Não é brincadeira de criança. Não é só uma piada. Não é mimimi. A ciência já sabe que as consequências da perseguição sofrida quando criança ou adolescente atravessam (e prejudicam) a vida adulta

    A primeira vez que Fernanda Brzezinski fez uma dieta foi aos seis anos. A avó cobrava dela um corpo dentro dos padrões. E a menina absorvia toda aquela cobrança. Na escola, as piadas dos colegas também a estimulavam a perder peso. “Eu ainda era peluda, então começaram a dizer que eu parecia uma foca quando ria”, relembra. Não comprava roupas justas ou do tamanho certo; preferia camisetas e calças largas, na tentativa de esconder o corpo.

    Na adolescência, quando frequentava a casa de uma amiga bem magra, na hora do lanche da tarde ela era proibida de comer. Fernanda só perdeu peso perto dos 30 anos, quando teve seus dois filhos: Felipe, hoje com 14 anos, e Sofia, com 10.

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  • Terra plana. Que história é essa?

    A Terra é redonda. É esférica, como uma bola. Não chega a ser uma bola perfeita, mas é quase. Agora, tem gente dizendo por aí que a Terra é plana – como se acreditava láááá no passado! Escuta, ou melhor, leia só!

    Antes de começar essa conversa, não custa repetir: a Terra é redonda, tem o formato de uma bola.Se alguém perguntar, pode afirmar, sem qualquer dúvida. O fato de a Terra ser redonda é algo cientificamente comprovado por experimentos. Além disso, existem provas do formato esférico da Terra, como fotos, viagens espaciais e muitos mais.

    Recentemente, em todo mundo (até no Brasil!),pessoas estão se reunindo para defender a que a Terra é plana, achatada como uma moeda.Esses defensores foram apelidados de ‘terraplanistas’.

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  • Ensino médico é problema de saúde pública?

    Os testes padronizados fazem parte de nossa vida. Provas como vestibulares, Enem, exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), provas de proficiência em idiomas, concursos públicos, entre outras, pautam nossa vida, decidem o futuro de muitos de nós na vida cotidiana.

    A padronização do teste implica em que todos os avaliados estão em condições semelhantes no momento do exame: perguntas semelhantes, mesmo tempo, examinadores com critérios harmonizados. As condições materiais de realização e qualificação da prova parecem justas por virtude da padronização. Pouco importa se essas condições padrão constituem uma limitação para quem é avaliado: por não estar em boas condições de saúde no dia da prova ou ficar particularmente nervoso nesse tipo de ambiente, por exemplo. […]

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  • Mais self, menos selfie

    A geração que nasceu nos anos 1980 talvez seja a última que sabe como é ter momentos de verdadeira solidão

    Nos Estados Unidos existe uma expressão que não tem correspondente em português: o me time. Temos aqui o tal do “tempo para mim”, mas não acho que seja a tradução correta. Esse “tempo do eu” (em tradução mais do que livre) não tem tanto a ver com as horas do dia que sobram para fazer coisas pes­soais (ler aquele livro que estava parado no criado-mudo ou fazer o tratamento estético de que provavelmente você não precisa), mas sim com as horas do dia em que ficamos a sós conosco. Um tempo para curtir a solidão.

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