Texto Jornalístico

  • MoMA, de Nova York, compra primeiro quadro de Tarsila do Amaral

    ‘A Lua’ foi comprado por valor não divulgado e pertence à fase antropofágica da artista

    O MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York) adquiriu sua primeira pintura da brasileira Tarsila do Amaral. O quadro é “A Lua” (1928), um dos quadros favoritos do escritor Oswald de Andrade, com quem foi casada, em uma operação que deve agregar mais valor à obra da artista, na avaliação de especialistas.

    A obra faz parte da fase antropofágica de Tarsila (1928-1930) e foi pintada depois de uma das produções mais famosas da pintora, “Abaporu” (1928), vendida em 1995 ao colecionador argentino Eduardo Constantini por US$ 1,3 milhão (cerca de US$ 2,2 milhões em valores corrigidos pela inflação).

    (mais…)
  • Desigualdade, discriminação e Direitos Humanos

    Ao longo dos séculos e em toda parte, a opressão exercida por determinados grupos nacionais, étnicos, religiosos ou políticos sobre outros, vistos como inferiores ou inimigos, representa, ao mesmo tempo, causa e consequência de genocídios, extermínios, “limpezas étnicas”, guerras, situações de domínio, com a consequente e inevitável violação dos Direitos Humanos. Ainda que existam organismos internacionais para a defesa dos direitos e da dignidade dos oprimidos, a supremacia dos opressores por meio da discriminação de alguns povos e grupos sociais é realidade mundial. Superar essa situação é um desafio permanente e fundamental para a comunhão dos povos e para promover o respeito devido a todos pela condição humana, o que é universalmente reconhecido.

    (mais…)
  • Identidade e apropriação cultural

    Especialistas afirmam que discussão é mais profunda: “Dizer que apropriação cultural se resume a usar ou não turbante, comer ou não sushi é, na melhor das hipóteses, uma grande desonestidade intelectual”

    Turbante, dreadlocks, cocar, desenhos tradicionais. Símbolos culturais e estéticos que, se por um lado ajudam a compor o imaginário de nação miscigenada, também carregam seu valor simbólico de resistência dentro da comunidade na qual estão inseridos. No palco dos sincretismos, diversos atores e culturas se misturam, não sem provocar polêmica e discussões que muitas vezes não arranham mais que a superfície da questão.

    Enquadra-se aí o debate sobre “apropriação cultural”, tema que vem dividindo opiniões desde que sites e jornais repercutiram o caso de uma garota branca que teria sido repreendida por duas mulheres negras porque usava um turbante.

    (mais…)
  • Um enigma que veio do Egito Antigo

    Mais de 20 anos foram necessários para decifrar a linguagem usada pelos egípcios do passado: os hieróglifos

    Quem aí já tentou ler um texto escrito em uma língua desconhecida? A sensação é esquisita, não é? Saber que ali há algo dito, mas não conseguir entender… Agora imagine estar diante de uma língua que você não conhece e que ainda tem letras aparentemente indecifráveis! Pois este é o caso dos hieróglifos, linguagem que os egípcios antigos utilizavam para registro de sua história. Com o fim da civilização do Egito Antigo, não sobrou ninguém que soubesse ler hieróglifos. Imagine, então, como os estudiosos deviam ficar curiosos! Já haviam sido encontrados vários documentos, objetos e até túmulos com sinais que eles sabiam conter várias informações sobre a vida no Egito Antigo, mas ninguém sabia seus significados.

    (mais…)
  • Catadores de tralhas e sonhos

    Copyright© by Cenpec e Itaú Social

    São centenas, talvez milhares os catadores de papel nessa megalópole. Puxam ou empurram carroças e catam objetos no lixo ou nas calçadas. É um museu de tralhas variadas: restos de materiais para construção, papel, caixas de papelão, embalagens de inúmeros produtos, e até mesmo objetos decorativos, alguns belos e antigos, desprezados por algum herdeiro.

    Há carroças exóticas, pintadas com desenhos de figuras pop, seres mitológicos, nuvens, pássaros e vampiros. Em Santana, vi uma carroça que lembrava um jinriquixá, só que maior do que o veículo asiático.

    (mais…)
  • Pavão

    Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

    (mais…)
  • No Dia Mundial da Pessoa com Alzheimer, alerta é para diagnóstico precoce

    A doença é a forma mais comum de demência, responsável por 60% a 70%

    Hoje (21) é celebrado o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, oportunidade para respeitar aqueles que vivem com demência e para aprender os sinais de alerta que aumentam a possibilidade de diagnóstico precoce, segundo a organização não governamental (ONG) Alzheimer’s Disease International – ADI (Associação Internacional do Alzheimer).

    A entidade ressalta que o diagnóstico precoce da doença empodera a pessoa, seus familiares e cuidadores a estarem melhor preparados e informados para lidar com o avanço da doença.

    (mais…)
  • Um caso de burro

    Copyright© by Cenpec e Itaú Social

    Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma coisa tão interessante, que determinei logo de começar por ela esta crônica. Agora, porém, no momento de pegar na pena, receio achar no leitor menor gosto que eu para um espetáculo, que lhe parecerá vulgar, e porventura torpe. Releve a importância; os gostos não são iguais.

    Entre a grade do jardim da Praça Quinze de Novembro e o lugar onde era o antigo passadiço, ao pé dos trilhos de bondes, estava um burro deitado. O lugar não era próprio para remanso de burros, donde concluí que não estaria deitado, mas caído. Instantes depois, vimos (eu ia com um amigo), vimos o burro levantar a cabeça e meio corpo. Os ossos furavam-lhe a pele, os olhos meio mortos fechavam-se de quando em quando. O infeliz cabeceava, mais tão frouxamente, que parecia estar próximo do fim.

    (mais…)
  • O pai dos males

    O sedentarismo é pai de muitos males. A atividade física, ao contrário, é uma espécie de panaceia moderna com indicações comparáveis às poções receitadas para qualquer doença, já no Egito antigo.

    A diferença, entretanto, é que os médicos do passado repetiam prescrições baseadas em crenças e princípios equivocados, enquanto acumulamos, nos últimos anos, extensa literatura com evidências claras dos benefícios de manter o corpo em movimento.

    O aumento da expectativa de vida ocorrido a partir do início do século passado deslocou a mortalidade geral do campo das doenças infecciosas e parasitárias para as crônico-degenerativas. Hipertensão arterial, diabetes e obesidade tornaram-se as epidemias com maior prevalência até em países de renda mais baixa. No Brasil, transtornos cardiovasculares e câncer ocupam o primeiro e segundo lugar nas estatísticas das causas de morte, respectivamente.

    (mais…)
  • Que inveja dos macacos

    Que eles se amavam, ninguém duvidava; era um ardoroso casalzinho de namorados, sempre aos beijos e abraços, sempre trocando segredinhos. Mesmo assim, quando anunciaram que iriam se casar, as famílias não receberam a notícia com muito entusiasmo.

    A razão era mais do que óbvia; tratava-se de gente do interior, gente pobre, muito pobre. Por outro lado, tanto o rapaz como a moça estavam desempregados; não tinham, pois, meios de se sustentar. E não poderiam contar com o apoio dos pais. O que, aliás, gerou algumas amargas discussões com os familiares.

    (mais…)