Literatura Brasileira

  • Se eu não a tenho, ela me tem

    Arnaut Daniel (tradução-recriação de Augusto de Campos) Se eu não a tenho, ela me temo tempo todo preso, Amor,e tolo e sábio, alegre e triste,eu sofro e não dou o troco.É indefeso quem ama.Amor comandaà escravidão mais brandae assim me rendo,sofrendo,à dura lidaque me é deferida. Se calo, é porque mais convémcalar, em mim, o…

  • Capítulo 4

    (onde se devassam truques, máscaras e maquiagem dos bastidores do que se chama de literatura) Um dia apareceremos leitor nas estatísticas catalogados em ocorrência policial.1 Com o bloco nas ruas, vamos estabelecer que literatura não tem uma definição. Ela não pode ser definida como podem ser definidos – com certa unanimidade – um composto químico, um acidente geográfico, um…

  • O direito à literatura

    Antonio Candido […] Chamarei de literatura, da maneira mais ampla possível, todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura, desde o que chamamos folclore, lenda, até as formas mais complexas e difíceis da produção escrita das grandes civilizações. Vista deste modo…

  • A gente combinamos de não morrer

    A morte brinca com balas nos dedos gatilhos dos meninos. Dorvi se lembrou do combinado, o juramento feito em voz uníssona, gritado sob o pipocar dos tiros: — A gente combinamos de não morrer! Limpou os olhos. Lágrimas apontavam diversos sentimentos. A fumaça que subia do monturo de lixo ao lado, justificava qualquer gota ou rio-mar…

  • Repelindo o carteiro

    Tenho, sim, um cão feroz que ameaça o carteiro; na verdade, eu o comprei com essa finalidade. Correios lançam campanha para preservar os carteiros dos ataques de cães. Folha Online, 4 de setembro de 2008. “SENHOR CHEFE DOS CORREIOS: dirijo-me a V.S. por causa do aviso que recebi de V.S., intimando-me a tomar medidas para…

  • Lista de Exercícios sobre o Simbolismo

    Leia, a seguir, um poema de Cruz e Sousa (1861-1898), expoente do Simbolismo brasileiro. Siderações Para as Estrelas de cristais geladosas ânsias e os desejos vão subindo,galgando azuis e siderais noivados,de nuvens brancas a amplidão vestindo… Num cortejo de cânticos aladosos arcanjos, as cítaras ferindo,passam, das vestes nos troféus prateados,as asas de ouro finamente abrindo……

  • O tesouro no quintal

    Era uma família grande, a nossa: pai, mãe, cinco filhos. Grande e pobre. Papai, pedreiro, mal conseguia nos sustentar. Mamãe ajudava como podia, fazendo faxinas e costurando para fora, mas mesmo assim a vida era bastante difícil. Papai vivia bolando formas de reforçar nosso orçamento doméstico ou de, pelo menos, diminuir as despesas. Foi assim…