Conto Crônica Gênero Textual Literatura Literatura Brasileira Poema Reportagem Texto Jornalístico Tipologia Argumentativa Tipologia Narrativa

  • A literatura e a formação do homem

    Um certo tipo de função psicológica é talvez a primeira coisa que nos ocorre quando pensamos no papel da literatura. A produção e fruição desta se baseiam numa espécie de necessidade universal de ficção e de fantasia, que decerto é coextensiva ao homem, pois aparece invariavelmente em sua vida, como individuo e como grupo, ao lado da satisfação das necessidades mais elementares. E isto ocorre no primitivo e no civilizado, na criança e no adulto, no instruído e no analfabeto. A literatura propriamente dita é uma das modalidades que funcionam como resposta a essa necessidade universal, cujas formas mais humildes e espontâneas de satisfação talvez sejam coisas como a anedota, a adivinha, o trocadilho, o rifão. Em nível complexo surgem as narrativas populares, os cantos folclóricos, as lendas, os mitos. No nosso ciclo de civilização, tudo isto culminou de certo modo nas formas impressas, divulgadas pelo livro, o folheto, o jornal, a revista: poema, conto, romance, narrativa romanceada. Mais recentemente, ocorreu o boom das modalidades ligadas à comunicação pela imagem e à redefinição da comunicação oral, propiciada pela técnica: fita de cinema, […] história em quadrinhos, telenovela. Isto, sem falar no bombardeio incessante da publicidade, que nos assalta de manhã à noite, apoiada em elementos de ficção, de poesia e em geral da linguagem literária.

    Portanto, por via oral ou visual, sob formas curtas e elementares, ou sob complexas formas extensas, a necessidade de ficção se manifesta a cada instante; aliás, ninguém pode passar um dia sem consumi-la, ainda que sob a forma de palpite na loteria, devaneio, construção ideal ou anedota. E assim se justifica o interesse pela função dessas formas de sistematizar a fantasia, de que a literatura é uma das modalidades mais ricas.

    Antonio Candido. “A literatura e a formação do homem”. Revista Ciência e Cultura, set. 1972. p. 804.

    Antonio Candido

    Antonio Candido de Mello e Souza (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1918 – São Paulo, São Paulo, 2017). Escritor, crítico literário, sociólogo e professor. Expoente da crítica literária brasileira. Suas obras tornam-se base para debate da formação literária nacional, associadas aos estudos de nossa construção sociológica.

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  • A mulher sem medo

    Ele não sabia o que o esperava quando, levado mais pela curiosidade do que pela paixão, começou a namorar a mulher sem medo. Na verdade havia aí também um elemento interesseiro; tinha um projeto secreto, que era o de escrever um livro chamado “A Vida com a Mulher sem Medo”, uma obra que, imaginava, poderia fazer enorme sucesso, trazendo-lhe fama e fortuna. Mas ele não tinha a menor ideia do que viria a acontecer.

    Dominador, o homem queria ser o rei da casa. Suas ordens deveriam ser rigorosamente obedecidas pela mulher. Mas como impor sua vontade? Como muitos ele recorria a ameaças: quero o café servido às nove horas da manhã, senão… E aí vinham as advertências: senão eu grito com você, senão eu bato em você, senão eu deixo você sem comida.

    Acontece que a mulher simplesmente não tomava conhecimento disso; ao contrário, ria às gargalhadas. Não temia gritos, não temia tapas, não temia qualquer tipo de castigo. E até dizia, gentil: “Bem que eu queria ficar assustada com suas ameaças, como prova de consideração e de afeto, mas você vê, não consigo.”

    Aquilo, além de humilhá-lo profundamente, deixava-o completamente perturbado. Meter medo na mulher transformou-se para ele em questão de honra. Tinha de vê-la pálida, trêmula, gritando por socorro.

    Como fazê-lo? Pensou muito a respeito e chegou a uma conclusão: para amedrontá-la só barata ou rato. Resolveu optar pela barata, por uma questão de facilidade: perto de onde moravam havia um velho depósito abandonado, cheio de baratas. Foi até lá e conseguiu quatro exemplares, que guardou num vidro de boca larga.

    Voltou para casa e ficou esperando que a mulher chegasse, quando então soltaria as baratas. Já antegozava a cena: ela sem dúvida subiria numa cadeira, gritando histericamente. E ele enfim se sentiria o vencedor.

    Foi neste momento que o rato apareceu. Coisa surpreendente, porque ali não havia ratos, sobretudo um roedor como aquele, enorme, ameaçador, o Rei dos Ratos. Quando a mulher finalmente retornou encontrou-o de pé sobre uma cadeira, agarrado ao vidro com as baratas, gritando histericamente.

    Fazendo jus à fama ela não demonstrou o menor temor; ao contrário, ria às gargalhadas. Foi buscar uma vassoura, caçou o rato pela sala, conseguiu encurralá-lo e liquidou-o sem maiores problemas. Feito que ajudou o homem, ainda trêmulo, a descer da cadeira. E aí viu que ele segurava o vidro com as quatro baratas. O que deixou-a assombrada: o que pretendia ele fazer com os pobres insetos? Ou aquilo era um novo tipo de perversão?

    Àquela altura ele já nem sabia o que dizer. Confessar que se tratava do derradeiro truque para assustá-la seria um vexame, mesmo porque, como ele agora o constatava, ela não tinha medo de baratas, assim como não tivera medo do rato. O jeito era aceitar a situação. E admitir que viver com uma mulher sem medo era uma coisa no mínimo amedrontadora.

    Moacyr Scliar. Folha de S. Paulo, 17/1/2011.

    Moacyr Scliar

    Médico e escritor, Moacyr Jaime Scliar (1937-2011) nasceu em Porto Alegre (RS). Publicou mais de 60 livros, que abrangem vários gêneros e pelos quais recebeu numerosos prêmios. Tem livros traduzidos em vários idiomas. Sua obra é marcada pelo flerte com o imaginário fantástico e pela investigação da tradição judaico-cristã. Escrevia crônicas para os jornais Zero Hora e Folha de S.Paulo. Entre seus livros, destacam-se O carnaval dos animais, Histórias da terra trêmula, Os leopardos de Kafka, Manual da paixão solitária, O tio que flutuava, Navio das cores (infantojuvenis); Um país chamado infância, Dicionário do viajante insólito, O imaginário cotidiano (crônicas).

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  • O Guarani

    Mas o inimigo caiu no meio deles, subitamente, sem que pudessem saber se tinha surgido do seio da terra, ou se tinha descido das nuvens.

    Era Peri.

    Altivo, nobre, radiante da coragem invencível e do sublime heroísmo de que já dera tantos exemplos, o índio se apresentava só em face de duzentos inimigos fortes e sequiosos de vingança.

    […]

    Passado o primeiro espanto, os selvagens bramindo atiraram-se todos como uma só mole, como uma tromba do oceano, contra o índio que ousava atacá-los a peito descoberto.

    Houve uma confusão, um turbilhão horrível de homens que se repeliam, tombavam e se estorciam; de cabeças que se levantavam e outras que desapareciam; de braços e dorsos que se agitavam e se contraiam, como se tudo isto fosse partes de um só corpo, membros de algum monstro desconhecido debatendo-se em convulsões.

    […]

    O velho cacique dos Aimorés se avançava para ele sopesando a sua imensa clava crivada de escamas de peixe e dentes de fera; alavanca terrível que o seu braço possante fazia jogar com a ligeireza da flecha.

    Os olhos de Peri brilharam; endireitando o seu talhe, fitou no selvagem esse olhar seguro e certeiro, que não o enganava nunca.

    O velho aproximando-se levantou a sua clava e imprimindo-lhe o movimento de rotação, ia descarregá-la sobre Peri e abatê-lo; não havia espada nem montante que pudesse resistir àquele choque.

    O que passou-se então foi tão rápido, que não é possível descrevê-lo; quando o braço do velho volvendo a clava ia atirá-la, o montante de Peri lampejou no ar e decepou o punho do selvagem; mão e clava foram rojar pelo chão.

    […]

    Peri, vencedor do cacique, volveu um olhar em torno dele, e vendo O estrago que tinha feito, os cadáveres dos Aimóres amontoados uns sobre os outros, fincou a ponta do montante no chão e quebrou a lamina. Tomou depois os dois fragmentos e atirou-os ao rio.

    Então passou-se nele uma luta silenciosa, mas terrível para quem pudesse compreendê-la. Tinha quebrado a sua espada, porque não queria mais combater; e decidira que era tempo de suplicar a vida ao inimigo.

    Mas quando chegou o momento de realizar essa súplica, conheceu que exigia de si mesmo uma coisa sobre-humana, uma coisa superior às suas forças.

    Ele, Peri, o guerreiro invencível, ele, o selvagem livre, o senhor das florestas, o rei dessa terra virgem, o chefe da mais valente nação dos Guaranis, suplicar a vida ao inimigo! Era impossível.

    Três vezes quis ajoelhar, e três vezes as curvas de suas pernas distendendo-se como duas molas de aço o obrigaram a erguer-se.

    Finalmente a lembrança de Cecília foi mais forte do que a sua vontade.

    Ajoelhou.

    José de Alencar. O Guarani. São Paulo: Ática, 1992. p. 220-222.

    Vocabulário:
    Mole: imenso volume ou massa.
    Montante: espada grande manejada com ambas as mãos para golpear o adversário pelo alto.
    Rojar: deslizar, arrastar, lançar longe.
    Sopesar: calcular o peso.

    José de Alencar

    José de Alencar foi um dos maiores representantes do romantismo no Brasil e um dos principais nomes da literatura nacional. O autor ficou marcado por investir em uma literatura nacional, menos influenciada pelos colonizadores portugueses. Como resultado, as obras de Alencar apresentam a cultura do povo, a história e as regiões brasileiras com uma linguagem inovadora para a época.

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  • Norma e padrão

    Uma das comparações que os estudiosos de variação linguística mais gostam de utilizar é a da língua com a vestimenta. Esta, como sabemos, é bastante variada, indo da mais formal (longo e smoking) à mais informal (biquíni e sunga, ou camisola e pijama). A ideia dos que fazem essa comparação é a seguinte: não existem, a rigor, formas linguísticas erradas, existem formas linguísticas inadequadas. Como as roupas: assim como ninguém vai à praia de smoking ou de longo, também ninguém casa de biquíni e de sunga, ou de camisola e de pijama (sem negar que estas sejam vestimentas, e adequadas!), assim ninguém diz “me dá esse troço aí” num banquete público e formal nem “faça-me o obséquio de passar-me o sal” numa situação de intimidade familiar.

    Os gramáticos e os sociolinguistas, cada um com seu viés, costumam dizer que o padrão linguístico é usado pelas pessoas representativas de uma sociedade. Os gramáticos dizem isso, mas acabam não analisando o padrão, nem recomendando-o de fato. Recomendam uma norma, uma norma ideal. Vou dar uns exemplos: se o padrão é o usado pelos figurões, então deveriam ser considerados padrões o verbo “ter” no lugar de “haver”; a regência de “preferir x do que y”, em vez de “preferir x a y”; o uso do anacoluto (A inflação, ela estará dominada quando…); a posição enclítica dos pronomes átonos. O que não significa proibir as mais conservadoras. Algumas dessas formas “novas” aparecem em muitíssimo boa literatura, em autores absolutamente consagrados, que poderiam servir de base para que os gramáticos liberassem seu uso – para os que necessitam da licença dos outros.

    Vejam-se esses versos de Murilo Mendes: “Desse lado tem meu corpo / tem o sonho / tem a minha namorada na janela / tem as ruas gritando de luzes e movimentos / tem meu amor tão lento / tem o mundo batendo na minha memória / tem o caminho pro trabalho. Do outro lado tem outras vidas vivendo da minha vida / tem pensamentos sérios me esperando na sala de visitas / tem minha noiva definitiva me esperando com flores na mão / tem a morte, as colunas da ordem e da desordem.” 

    Faltou ao poeta acrescentar: tem uns gramáticos do tempo da onça / de antes do tempo em que se começou a andar pra frente.

    Não vou citar Drummond de Andrade, com seu por demais conhecido “Tinha uma pedra no meio do caminho…”, nem o Chico Buarque de “Tem dias que a gente se sente / como quem partiu ou morreu…”

    Mas acho que vou citar “Pronominais”, do glorioso Oswald de Andrade: Dê-me um cigarro / Diz a gramática / Do professor e do aluno / E do mulato sabido / Mas o bom negro e o bom branco / Da nação brasileira / Dizem todos os dias / Deixa disso camarada / Me dá um cigarro.

    Quero insistir: ao contrário do que se poderia pensar (e vários disseram), não sou anarquista, defensor do tudo pode, ou do vale tudo. Nem estou dizendo que “Nós vai” é igual a “Tem muito filho que obedece os pais”. O que estou fazendo é cobrar coerência, um pouquinho só: se o padrão vem da fala dos bacanas, se os mais bacanas são os poetas consagrados, por que, antes das dez, numa aula de literatura, podemos curtir seu estilo e em outra aula, depois das onze, dizemos aos alunos e aos demais interessados: viram o Drummond, o Murilo, o Machado, o Guimarães Rosa? Que criatividade!!! Mas vocês não podem fazer como eles.

    POSSENTI, Sírio. A cor da língua e outras croniquinhas de linguística. Campinas: Mercado de Letras, 2001. p. 111-112. (Adaptado).

    Sírio Possenti
    Sírio Possenti

    Sírio Possenti é licenciado em Filosofia e tem mestrado e doutorado em Linguística. É professor titular (Análise do Discurso) no Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (Unicamp). Estuda humor. Tem interesse pelos discursos jornalístico e publicitário. Dedica-se ao estudo de textos breves, especialmente piadas, pequenas frases e fórmulas. Pela Contexto é autor dos livros Ethos Discursivo, Fórmulas Discursivas, Discurso e Desigualdade Social, A Desordem do Discurso, Humor, Língua e Discurso e Sentido e Significação.

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  • Relatório de prática

    Inhotim: um passeio pela arte contemporânea

    Tema: Visita ao Instituto Inhotim

    Ano:

    Aluna: Naiara M.

    No último sábado de fevereiro, nossa turma visitou o Instituto Inhotim, em uma atividade de estudo sobre a arte contemporânea para a disciplina de Literatura.

    O Instituto Inhotim localiza-se na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, a 60 km da capital Belo Horizonte. Consiste em um complexo museológico que comporta o maior acervo de arte contemporânea ao ar livre da América Latina. O espaço é formado por parque ecológico, jardim botânico, lagos, pavilhões e galerias ao longo de toda a sua extensão, além de locais para alimentação e lazer.

    O museu conta com exposições permanentes e temporárias, que se estendem por todo o local. Ou seja, as obras não ficam concentradas em um único espaço, mas espalhadas pelas galerias e mesmo ao ar livre, de modo que o visitante passa por uma verdadeira imersão na natureza para conhecer todas as exposições.

    Entre as fascinantes obras expostas, a que mais me interessou foi a chamada “Desvio para o vermelho”, de Cildo Meireles, um quarto inteiro decorado na cor vermelha, desde os móveis, passando pelo tapete e quadros até os objetos menores e mais simples. No quarto, é possível notar o contraste entre épocas, pois há uma mescla de objetos antigos, como uma máquina de escrever, com objetos mais novos, como um notebook – todos eles vermelhos. É impossível despregar os olhos dos itens que compõem o ambiente, tão monocromáticos e, ao mesmo tempo, tão diferentes entre si.

    Outra obra que chama a atenção é a Troca-troca, de Jarbas Lopes. São três fuscas coloridos, interligados por um sistema de som. Antes os carros ficavam expostos no jardim do parque, o que acabou fazendo com que perdessem um pouco da cor. Mas, em 2017, os fuscas foram restaurados e agora ficam na parte coberta do museu.

    LOPES, Jarbas. Troca-troca. 2002. Fuscas com aparelhagem de som. Dimensões variáveis.

    Para os amantes da arte contemporânea, o Inhotim é uma visita imperdível. Com tantas exposições e mostras, o visitante respira arte para todos os lados, sendo impossível conhecer tudo em um único dia.

    Para aqueles que apenas buscam um espaço tranquilo para relaxar e observar a natureza, o Instituto também não deixa nada a desejar, com seus imensos espaços verdes, enormes bancos de madeira e lagos pacíficos.

    Definitivamente, a visita ao museu foi muito proveitosa e positiva, e pudemos conhecer e entender melhor a arte contemporânea em suas diferentes formas.

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  • Carta de Oscar Niemeyer

    Disponível em: <https://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2012/12/em-carta-de-1987-niemeyer-recusa-festa-de-aniversario-de-80-anos.html>. Acesso em: 19 out. 2022.

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  • Barbra Streisand clonou seu cão – o que é meio errado e completamente sem sentido

    Clonar pets, além de causar sofrimento a animais que já estão vivos, não adianta nada: genes iguais não garantem personalidades iguais.

    Eu reconheço um episódio de Black Mirror quando vejo um. Por isso tomei um susto desgraçado quando li, na última sexta, que a cantora Barbra Streisand havia encomendado um clone de seu cachorro morto por 50 mil dólares. Dei um belo beliscão no braço para ver se eu estava mesmo no escritório, e não no sofá de casa, assistindo à quinta temporada numa pré-estreia exclusivíssima. Depois, dei um rolê rápido no Twitter e descobri que quase todo mundo achou a ideia ótima. Fofa.

    Antes de começar o textão, uma ressalva básica: eu, infelizmente, nunca saí na rua para lutar pelos direitos dos animais. E, apesar de achar o vegetarianismo uma ótima ideia – não só do ponto de vista ideológico como do científico também -, me falta força de vontade para segui-lo. Não vou tentar arranjar desculpas para essa preguiça. Eu concordo plenamente que pessoas vão longe demais nessa história de confundir animais com objetos inanimados. E é esse ponto de vista que vou defender aqui.

    Para começo de conversa, produzir clones usando o método da ovelha Dolly só é simples na teoria. Vamos revisar: você pega o núcleo de uma célula, que contém o DNA do animal que será copiado, e o insere no óvulo de uma fêmea qualquer. Depois, pega esse óvulo e o implanta no útero de uma segunda fêmea, que levará a gestação adiante.

    A chance de o processo descrito acima dar errado é muito grande. Quando Dolly foi clonada, foi a única que vingou entre 29 embriões, implantados em 13 úteros. Snuppy, o primeiro cachorro clonado da História, é o único sobrevivente entre outras 94 potenciais cópias, que não sobreviveram à gestação. É óbvio que, duas décadas depois, a técnica já é bem mais eficiente. Em 2014, a China já estava clonando porcos para fins industriais com taxas de sucesso entre 70% e 80%. Mas ainda há uma margem de erro razoável aí, que precisa ser compensada por meio da criação de mais de um óvulo e da inseminação de mais de uma fêmea.

    Em outras palavras, empresas como a que Streisand contratou para xerocar seu pet se aproveitam de cadelas anônimas, que fornecem úteros e óvulos (cuja extração envolve estimulação hormonal e intervenção cirúrgica). Há uma entrevista detalhada sobre isso na Scientific American, e esta reportagem relata a rotina de uma empresa sul-coreana especializada no ramo. É no mínimo sacanagem usar e abusar de dezenas de Canis lupus familiaris para gerar um único exemplar de um animal da mesma espécie, só por causa de sua aparência física. A única diferença entre o coton du tulear de Streisand e o vira-lata do boteco é que um nasceu em berço de ouro, com pedigree, e o outro na esquina. Cachorro para adotar é o que não falta nesse mundo.

    […]

    Disponível em: https://super.abril.com.br/blog/supernovas/barbra-streisand-clonou-seu-cao-o-que-e-meio-errado-e-completamente-sem-sentido/. Acesso em: 16 set. 2020. [Fragmento]

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  • Desafios para combater o cyberbullying no Brasil

    TEXTO I

    Cyberbullying é o bullying realizado por meio das tecnologias digitais. Pode ocorrer nas mídias sociais, plataformas de mensagens, plataformas de jogos e celulares. É o comportamento repetido, com intuito de assustar, enfurecer ou envergonhar aqueles que são vítimas. Exemplos incluem: espalhar mentiras ou compartilhar fotos constrangedoras de alguém nas mídias sociais; enviar mensagens ou ameaças que humilham pelas plataformas de mensagens; se passar por outra pessoa e enviar mensagens maldosas aos outros em seu nome. O bullying presencial e o virtual acontecem lado a lado com frequência. Porém, o cyberbullying deixa um rastro digital – um registro que pode se tornar útil e fornecer indícios para ajudar a dar fim ao abuso.

    Disponível em: https://www.unicef.org/. Acesso em: 6 set. 2021 (fragmento adaptado).

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  • O desafio de reduzir a evasão escolar no Brasil

    TEXTO I

    Apesar de não serem apenas dados estatísticos – cada pessoa fora da escola tem nome e sobrenome, história de vida, sonhos e direito de estudar –, é inevitável destacar que esses indivíduos somam números alarmantes. De acordo com dados do estudo Cenário da Exclusão Escolar no Brasil − Um alerta sobre os impactos da pandemia da COVID-19 na Educação, do Unicef, o Brasil vinha avançando nos últimos anos, ainda que lentamente, no acesso à educação. Em 2019, eram quase 1,1 milhão de crianças e adolescentes em idade escolar obrigatória fora da escola no país. Com a pandemia da Covid-19, as desigualdades se acentuaram a ponto de, em novembro de 2020, mais de 5 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos não terem tido acesso à educação no Brasil – em especial meninas e meninos negros e indígenas, das regiões Norte e Nordeste.

    Disponível em: <https://novaescola.org.br/>. Acesso em: 18 ago. 2021 (fragmento).

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  • Problemas associados à cultura da automedicação no Brasil

    TEXTO I

    Anvisa alerta para riscos da automedicação

    Segundo a agência, a prática pode causar reação grave, inclusive óbito

    A automedicação, especialmente nesse momento de pandemia, tem preocupado autoridades sanitárias em todo o mundo. “É preciso que as pessoas se conscientizem dos riscos reais dessa prática, que pode causar reações graves, inclusive óbitos”, alertou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em comunicado.

    Ainda segundo a Agência, essa avaliação é feita a partir de critérios técnico-científicos, de acordo com o paciente e o conhecimento da doença: “todo medicamento apresenta riscos relacionados ao seu consumo, que deve ser baseado na relação benefício-risco. Ou seja, os benefícios para o paciente devem superar os riscos associados ao uso do produto”.

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