Poema
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Os Lusíadas – Canto V
O gigante Adamastor
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Porém já cinco Sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca doutrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite estando descuidados,
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem que os ares escurece
Sobre nossas cabeças aparece.Haicaipiras
Quem disse que o trocadilho é a mais reles
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forma de humor, foi Bernard Shaw?
Mas não pude resistir ao trocadilho,
ao ver as painas caídas em volta da paineira
como flocos de neve.
Afinal, salvo engano, o olhar por fora
vê o que parece, mas por dentro
vê o que nos apetece, não?
A paina, alvo engano
é a neve possível
neste meridiano
Olhaí mais trocadilhos.
Essa vida comprida que até o fim
deve ser cumprida.
E esse carma que também é calma,
se o haicai for falado com
sotaque caipira…
Carma, assim é a vida
quanto mais longa
mais cumpridaPoema de Sete Faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vidaAs casas espiam os homens
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que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.Os Lusíadas (Adaptação)
O gigante Adamastor
O rei de Melinde, vivamente impressionado, seguia com grande atenção o relato de Vasco da Gama.
— Cinco dias depois de deixarmos aquela terra, seguíamos com ventos favoráveis por mares desconhecidos quando, numa noite, surgiu uma nuvem que tomou conta do céu. Era uma nuvem tão carregada e ameaçadora que encheu nossos corações de medo. Então, de repente, surgiu no ar uma figura robusta, com o rosto zangado, cor de terra. Tinha uma barba enorme, olhos encovados, cabelos desgrenhados e cheios de terra, a boca negra, os dentes amarelos. Era tão grande que, ao vê-lo, comparei-o ao Colosso de Rodes – uma das sete maravilhas do mundo antigo. Num tom de voz que parecia sair do mar profundo, arrepiando a todos nós, ele nos falou:
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