Poema

  • Os Lusíadas – Canto V

    O gigante Adamastor

    37
    Porém já cinco Sóis eram passados
    Que dali nos partíramos, cortando
    Os mares nunca doutrem navegados,
    Prosperamente os ventos assoprando,
    Quando uma noite estando descuidados,
    Na cortadora proa vigiando,
    Uma nuvem que os ares escurece
    Sobre nossas cabeças aparece.

    (mais…)
  • Haicaipiras

    Quem disse que o trocadilho é a mais reles
    forma de humor, foi Bernard Shaw?
    Mas não pude resistir ao trocadilho,
    ao ver as painas caídas em volta da paineira
    como flocos de neve.
    Afinal, salvo engano, o olhar por fora
    vê o que parece, mas por dentro
    vê o que nos apetece, não?
    A paina, alvo engano
    é a neve possível
    neste meridiano

    Olhaí mais trocadilhos.
    Essa vida comprida que até o fim
    deve ser cumprida.
    E esse carma que também é calma,
    se o haicai for falado com
    sotaque caipira…
    Carma, assim é a vida
    quanto mais longa
    mais cumprida

    (mais…)
  • Poema de Sete Faces

    Quando nasci, um anjo torto
    desses que vivem na sombra
    disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida

    As casas espiam os homens
    que correm atrás de mulheres.
    A tarde talvez fosse azul,
    não houvesse tantos desejos.

    (mais…)
  • Deus

    Em me lembro! Eu me lembro! – Era pequeno
    E brincava na praia; o mar bramia
    E, erguendo o dorso altivo, sacudia
    A branca escuma para o céu sereno.

    (mais…)

  • Abyssus

    Bela e traidora! Beijas e assassinas…
    Quem te vê não tem forças que te oponha
    Ama-te, e dorme no teu seio, e sonha,
    E, quando acorda, acorda feito em ruínas…

    Seduzes, e convidas, e fascinas,
    Como o abismo que, pérfido, a medonha
    Fauce apresenta flórida e risonha,
    Tapetada de rosas e boninas.

    (mais…)
  • Os Lusíadas (Adaptação)

    O gigante Adamastor

    O rei de Melinde, vivamente impressionado, seguia com grande atenção o relato de Vasco da Gama.

    — Cinco dias depois de deixarmos aquela terra, seguíamos com ventos favoráveis por mares desconhecidos quando, numa noite, surgiu uma nuvem que tomou conta do céu. Era uma nuvem tão carregada e ameaçadora que encheu nossos corações de medo. Então, de repente, surgiu no ar uma figura robusta, com o rosto zangado, cor de terra. Tinha uma barba enorme, olhos encovados, cabelos desgrenhados e cheios de terra, a boca negra, os dentes amarelos. Era tão grande que, ao vê-lo, comparei-o ao Colosso de Rodes – uma das sete maravilhas do mundo antigo. Num tom de voz que parecia sair do mar profundo, arrepiando a todos nós, ele nos falou:

    (mais…)