Murilo Rubião

  • Teleco, o coelhinho

    “Três coisas me são difíceis de entender, e uma quarta eu a ignoro completamente: o caminho da águia no ar, o caminho da cobra sobre a pedra, o caminho da nau no meio do mar, e o caminho do homem na sua mocidade.”

    (Provérbios, XXX, 18 e 19)

    […]

    A voz era sumida, quase um sussurro. Permaneci na mesma posição em que me encontrava, frente ao mar, absorvido com ridículas lembranças.

    O importuno pedinte insistia:

    […]

    Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:

    Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.

    – Está bem, moço. Não se zangue. E, por favor; saia da minha frente, que eu também gosto de ver o mar.

    Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé. Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento, a me interpelar delicadamente:

    (mais…)