Modernismo

  • Grito negro

    Eu sou carvão!
    E tu arrancas-me brutalmente do chão
    e fazes-me tua mina, patrão.


    Eu sou carvão!
    e tu acendes-me, patrão
    para te servir eternamente como força motriz
    mas eternamente não, patrão.
    Eu sou carvão
    e tenho que arder, sim
    e queimar tudo com a força da minha combustão.
    Eu sou carvão
    tenho que arder na exploração
    arder até às cinzas da maldição
    arder vivo como alcatrão, meu irmão
    até não ser mais a tua mina, patrão.
    Eu sou carvão
    Tenho que arder
    queimar tudo com o fogo da minha combustão.
    Sim!
    Eu serei o teu carvão, patrão!

    In: Mário de Andrade, org. Antologia temática de poesia africana. 3. ed. Lisboa: Instituto Cabo-Verdeano do Livro, 1980. v. 1 p. 180.

    Mário de Andrade

    Mário de Andrade (1893-1945), paulista da capital, que cantou como nenhum outro, estreia com livro de poesia em 1917. Sua primeira obra modernista foi Paulicéia desvairada (1922). Foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna, na qual palestrou e recebeu muitas vaias. Teórico do Modernismo, além da obra pessoal, consagrou-se à militância jornalística, institucional e epistolar. Com Macunaíma (1928), atingiu o apogeu da prosa modernista. Praticou uma poesia de andamentos dilatados e poemas extensos, voltada para a meditação. Principais livros: Paulicéia desvairada (1922), Losango cáqui (1926), Clã do jabuti (1927), Remate de males (1930), Poesias (1941) e Poesias completas (1966).

  • Manifesto Antropófago

    Leitura de Maria Elisa no podcast Filosofia Pop #031.

    Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

    Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

    Tupi, or not tupi that is the question.

    Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.

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