Epopeia

  • Os Lusíadas – Canto V

    O gigante Adamastor

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    Porém já cinco Sóis eram passados
    Que dali nos partíramos, cortando
    Os mares nunca doutrem navegados,
    Prosperamente os ventos assoprando,
    Quando uma noite estando descuidados,
    Na cortadora proa vigiando,
    Uma nuvem que os ares escurece
    Sobre nossas cabeças aparece.

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  • Os Lusíadas (Adaptação)

    O gigante Adamastor

    O rei de Melinde, vivamente impressionado, seguia com grande atenção o relato de Vasco da Gama.

    — Cinco dias depois de deixarmos aquela terra, seguíamos com ventos favoráveis por mares desconhecidos quando, numa noite, surgiu uma nuvem que tomou conta do céu. Era uma nuvem tão carregada e ameaçadora que encheu nossos corações de medo. Então, de repente, surgiu no ar uma figura robusta, com o rosto zangado, cor de terra. Tinha uma barba enorme, olhos encovados, cabelos desgrenhados e cheios de terra, a boca negra, os dentes amarelos. Era tão grande que, ao vê-lo, comparei-o ao Colosso de Rodes – uma das sete maravilhas do mundo antigo. Num tom de voz que parecia sair do mar profundo, arrepiando a todos nós, ele nos falou:

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