Conto de Fantasia

  • A gazela e o caracol

    Numa tarde, uma gazela encontrou um caracol. Chamou o bicho a um canto e disse-lhe:

    — Caracol, você é incapaz de correr. Só te vejo se arrastando pelo chão.

    O caracol respondeu:

    — Que tal combinarmos um encontro aqui, no próximo domingo, e então eu lhe mostrarei do que sou capaz.

    Durante o resto da semana, o caracol organizou cem folhas e em cada uma delas escreveu: “Quando a gazela chegar e gritar ‘caracol!’, você responderá com estas palavras: ‘Eu sou o caracol’”. Então, reuniu seus amigos caracóis e distribuiu as cem folhas entre eles, dizendo:

    (mais…)
  • A abóbora menina

    Brotara do solo fecundo de um quintal enorme, de uma semente que mestre Crisolindo comprara na venda. Despontava por entre uns pés de couve e mais algumas abóboras, umas suas irmãs, outras suas parentes mais afastadas.

    Tratada com o devido esmero, adubada à maneira, depressa cresceu e se tornou em bela moçoila, roliça e corada.

    Os dias corriam serenos. Enquanto o sol brilhava, tudo era calma naquele quintal. Sombra dos pés de couve, rega a horas devidas, nada parecia faltar para que todos fossem felizes.

    (mais…)
  • As três penas

    Era uma vez um rei que tinha três filhos. Dois deles eram inteligentes e sensatos, mas o terceiro não falava muito, era simpático e só chamado de Bobalhão.

    Quando o rei ficou velho e fraco e começou a pensar no seu fim, não sabia qual dos seus filhos deveria herdar o seu reino. Então ele lhes disse:

    – Ide-vos em viagem, e aquele que me trouxer o mais belo tapete, este será o meu herdeiro, após a minha morte.

    E para que não houvesse discussões entre eles, o rei levou-os em frente do castelo soprou três penas para o ar e falou:

    – Para onde elas voarem, pra lá ireis.

    (mais…)
  • Teleco, o coelhinho

    “Três coisas me são difíceis de entender, e uma quarta eu a ignoro completamente: o caminho da águia no ar, o caminho da cobra sobre a pedra, o caminho da nau no meio do mar, e o caminho do homem na sua mocidade.”

    (Provérbios, XXX, 18 e 19)

    […]

    A voz era sumida, quase um sussurro. Permaneci na mesma posição em que me encontrava, frente ao mar, absorvido com ridículas lembranças.

    O importuno pedinte insistia:

    […]

    Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:

    Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.

    – Está bem, moço. Não se zangue. E, por favor; saia da minha frente, que eu também gosto de ver o mar.

    Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé. Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento, a me interpelar delicadamente:

    (mais…)