Literatura

O que é literatura, escolas literárias e análise de obras.

  • Como não?!

    “Obrigado”, eu digo, recusando a xícara e, um pouco mais baixo, para evitar que a informação escape para além da minha mesa, alargando o diâmetro de minha infâmia, confesso: “eu não bebo café”. O nobre leitor (ou leitora) que, como 99% das pessoas civilizadas, creio, gasta um bom quinhão de seus momentos sobre a Terra…

    Como não?!
  • Um copo de cólera

    […] daí que propiciei a elas a mais gorda bebedeira, encharcando suas panelas subterrâneas com farto caldo de formicida, cuidando de não deixar ali qualquer sobra de vida, tapando de fecho, na prensa do calcanhar, a boca de cada olheiro, e eu já vinha voltando daquele terreno baldio, largando ainda vigorosas fagulhas pelo caminho, quando notei…

  • Sexa

    — Hmmm? — Como é o feminino de sexo? — O quê? — O feminino de sexo. — Não tem. — Sexo não tem feminino? — Não. — Só tem sexo masculino? — É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino. — E como é o feminino de sexo? — Não tem feminino.…

  • A cartomante

    HAMLET OBSERVA A HORÁCIO QUE HÁ MAIS COISAS NO CÉU E NA TERRA DO QUE SONHA A NOSSA FILOSOFIA. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia…

    A cartomante
  • Se Eu Morresse Amanhã

    Se eu morresse amanhã, viria ao menosFechar meus olhos minha triste irmã;Minha mãe de saudades morreriaSe eu morresse amanhã! Quanta glória pressinto em meu futuro!Que aurora de porvir e que manhã!Eu perdera chorando essas coroasSe eu morresse amanhã! Que sol! que céu azul! que doce n’alvaAcorda a natureza mais louçã!Não me batera tanto amor no…

  • Mudança

    Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados…

    Mudança
  • Naufrágio

    De dentro da noite a cidade expele automóveissirenes cães inquietosgalos prematurosmais longecheio de plantas que são pedras que são flores que são bichos MARQUES, Ana Martins. Da arte das armadilhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 66. [Fragmento] Ana Martins Marques Ana Martins Marques nasceu em Belo Horizonte, é graduada em Letras na UFMG e tem…

  • Construção

    A construção metódica de ruínas:uma bomba. TAVAreS, Gonçalo M. 1. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. Gonçalo Tavares Gonçalo M. Tavares é um dos nomes mais prestigiados da literatura contemporânea. Nascido em Luanda, Angola, em 1970, mudou-se para Aveiro, Portugal, ainda na infância. Sua trajetória literária teve início oficial em 2001 e, desde então, ele…

  • Sob o feitiço dos livros

    Nietzsche estava certo: “De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo —ler um livro é simplesmente algo depravado”. É o que sinto ao andar pelas manhãs pelos maravilhosos caminhos da fazenda Santa Elisa, do Instituto Agronômico de Campinas. Procuro esquecer-me de tudo que li nos livros. É preciso que a cabeça esteja…

    Sob o feitiço dos livros
  • Grande sertão: veredas

    […] A Guararavacã do Guaicuí! o senhor tome nota deste nome. Mas, não tem mais, não encontra ― de derradeiro, ali se chama é Caixeirópolis; e dizem que lá agora dá febres. Naquele tempo, não dava. Não me alembro. Mas foi nesse lugar, no tempo dito, que meus destinos foram fechados. Será que tem um…

    Grande sertão: veredas