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O demônio vermelho

É noite de sexta-feira. A lua eclipsada esconde perigos misteriosos na floresta densa. O caçador avança apressado com seu troféu atado às costas; a cabana está a alguns quilômetros, e a lembrança dos rumores de um monstro à solta assola a mente do homem.

De repente, um barulho próximo para-o subitamente. Sua respiração acelera, a mão caminha em direção à espingarda, prepara-se para o embate e vira-se de pronto… dando de cara com o breu.

Atento, mantém-se parado, observando. Percebe no chão a marca de pés recentes correndo na direção oposta. Aliviado, vira-se para seguir para a cabana e apressa o passo. Novamente, depara-se com pegadas frescas, dessa vez em sua direção.

Começa a correr em direção à cabana, mas as pegadas surgem de todos os lados, cada vez apontando em uma direção. Confuso, acaba embrenhando-se na mata fechada, perdido; avista então uma figura avançando a poucos passos à sua esquerda; grande e rápida.

Muda de direção, tentando despistar a coisa, mas dá de cara com a criatura: a figura masculina com os pés virados ao contrário. Não passava de um menino, de fartos cabelos vermelhos que brilhavam como fogo, mas seus olhos amarelos faiscavam enquanto miravam-no de um modo assustador.

Desesperado, o caçador foge, deixando a caça para trás.

Diz a lenda que as florestas são protegidas pelo Curupira: criatura mágica que conjura feitiços para atordoar e afastar aqueles que adentram as matas buscando a morte e a destruição. O Curupira usa seus pés ao avesso para criar pegadas que confundem os caçadores e os deixam perdidos na escuridão da floresta.

Autoria desconhecida.