Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
AZEVEDO, Álvares de. Obra completa. rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000.

Álvares de Azevedo
Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em São Paulo, em 1831.
Toda a sua obra foi produzida enquanto cursava Direito. Nesse período, integrou grupos boêmios e participou da Sociedade Epicureia, associação dos estudantes de Direito do Largo de São Francisco que tinha como principal fonte de inspiração os textos literários e o modo de vida do poeta inglês Lorde Byron.
Morreu aos 21 anos, em 1852, em decorrência de um acidente que sofreu enquanto andava a cavalo. Suas obras, entre as quais Lira dos vinte anos, Noite na taverna e Macário, foram publicadas postumamente.

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