Casimiro de Abreu
Tu ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co’as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim; (mais…)
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Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.
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Nietzsche estava certo: “De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo —ler um livro é simplesmente algo depravado”. É o que sinto ao andar pelas manhãs pelos maravilhosos caminhos da fazenda Santa Elisa, do Instituto Agronômico de Campinas. Procuro esquecer-me de tudo que li nos livros. É preciso que a cabeça esteja vazia de pensamentos para que os olhos possam ver. Aprendi isso lendo Alberto Caeiro, especialista inigualável na difícil arte de ver. Dizia ele que “pensar é estar doente dos olhos”.
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A Guararavacã do Guaicuí: o senhor tome nota deste nome. Mas, não tem mais, não encontra – de derradeiro, ali se chama é Caixeirópolis; e dizem que lá agora dá febres. Naquele tempo, não dava. Não me alembro. Mas foi nesse lugar, no tempo dito, que meus destinos foram fechados. Será que tem um ponto certo, dele a gente não podendo mais voltar para trás? Travessia de minha vida. Guararavacã – o senhor veja, o senhor escreva. As grandes coisas, antes de acontecerem. Agora, o mundo quer ficar sem sertão. Caixeirópolis, ouvi dizer. Acho qqe nem coisas assim não acontecem mais. Se um dia acontecer, o mundo se acaba. Guararavacã. O senhor vá escutando.
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Foi a mãe quem teve ideia de comprar a pensão, do outro lado da rua, diante da barbearia onde eles moravam nos fundos. Aquilo que seria a Pensão Alto Paraná era um sobrado sujo e fedido, com camas piolhentas e privadas escuras, que serviram para ela pedir baixa no preço. Conseguiu, deu algum dinheiro como sinal, pegando o maço de notas da renda semanal da barbearia, que ia enrolando numa velha lata de bolachas para depositar na poupança na sexta-feira. E sempre contaria com orgulho que, quando o marido soube, perguntou se ela estava ficando louca; ela respondeu rindo:
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Antigamente aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam fragorosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por uma réstia amarela de lua. Desta ponte saíram inúmeros veleiros carregados, alguns eram enormes e pintados de estranhas cores, para a aventura das travessias marítimas. Aqui vinham encher os porões e atracavam nesta ponte de tábuas, hoje comidas. Antigamente diante do trapiche se estendia o mistério do mar-oceano, as noites diante dele eram de um verde escuro, quase negras, daquela cor misteriosa que é a cor do mar à noite.
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*Baseado em fatos reais
O casamento estava marcado para as 18 horas, mas como toda noiva que se preze, Tereza também chegou atrasada, coisa de meia hora. Não foi fácil conseguir esta igreja, então não era bom abusar da paciência do padre. Do lado de dentro um calor lascado. Os convidados e os padrinhos suavam em bicas.
A pequena catedral estava lotada -a noiva era muito querida no escritório onde trabalhava, até o gerente estava lá. Quando a noiva surgiu na porta foi um alívio para todos. Muitos só pensavam na festa e no chope gelado. “Que calor!”, disse um coroinha.
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De: Clarice Lispector Para: Elisa Lispector, Tania Kaufmann
Desde abril de 1946, Clarice Lispector e o marido, Maury Gurgel Valente, moravam em Berna, Suíça, onde ele, como diplomata, assumira o cargo de segundo-secretário na embaixada do Brasil. A convite do casal de jornalistas Bluma e Samuel Wainer, os Gurgel Valente passaram o final desse ano em Paris, hóspedes dos amigos, que moravam na capital francesa. De lá, onde Clarice e o marido permaneceram até 4 de fevereiro, ela escreve às irmãs Elisa e Tania.
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A Jade merece uma explicação, porque a chatice dela é eterna. A Jade, como a minha tia Ucha costuma dizer, é um capítulo à parte. Ela é magra e bem baixinha. Tem cara de ratinho assustado, tipo aqueles personagens que têm uma única fala no filme, aparecem na cena correndo de um lado para o outro, falam alguma coisa sem muito sentido e depois somem. Talvez ela saiba disso. Muito provavelmente percebeu a semelhança entre ela e o ratinho e, pra compensar, resolveu aparecer de verdade. A Jade é muito inteligente. Consegue ser a menina mais barulhenta da classe e tirar as melhores notas em tudo, sempre. Ninguém entende, mas eu sei que é porque ela é megaesperta, arrogante e eterna. Ela não tem problemas com ninguém em especial, mas vive um caso de amor e ódio com tudo e todos ao mesmo tempo. Acho que até com ela mesma, ou pelo menos é o que a minha mãe diz. Minha mãe não conhece a Jade direito e o pouco que sabe da garota é pelas coisas que eu falo. E eu não falo muito, especialmente sobre a minha vida na escola e a Jade. É que a minha mãe tem a mania de querer saber tudo e tudo vira uma conversa. É como se tocasse uma trombeta dessas de filmes antigos, anunciando que o príncipe regente vai chegar. Tutururururu, agora é hora de conversar. E tudo vira a tal da conversa. Sobre coisas esquisitas e adultas, que eu não tenho a menor vontade de falar ou saber. A Jade virou conversa. Mesmo sem eu dizer nada, ela soube por uma outra mãe da escola o episódio do lanche. Minha mãe disse que ela era carente, devia ter pouca atenção em casa. Problemas na família. Para a minha mãe, todo mundo tem problemas na família. Mas vou deixar ela de lado, porque a minha mãe também merece um capítulo à parte. Voltando para a Jade: além de ser baixinha, ratinha de voz assustada, barulhenta e boa aluna ao mesmo tempo, ela usa a unha pinta da e comprida e sempre fala umas palavras difíceis que ninguém entende. Fala não, grita. “Eterno”, eu aprendi com a Jade. “Bacanosa ‘ também, no dia em que ela me disse: “Sabe, Mia, apesar dessa sua cara supernormal e totalmente sem graça, tenho certeza que um dia você ainda vai mostrar para o mundo que é uma garota bacanosa”.
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… Caí na copa do chapéu de um homem que passava… Perdoe-me este começo; é um modo de ser épico. Entro em plena ação. Já o leitor sabe que caí, e caí na copa do chapéu de um homem que passava; resta dizer donde caí e por que caí.
Quanto à minha qualidade de alfinete, não é preciso insistir nela. Sou um simples alfinete vilão, modesto, não alfinete de adorno, mas de uso, desses com que as mulheres do povo pregam os lenços de chita, e as damas de sociedade os fichus, ou as flores, ou isto, ou aquilo. Aparentemente vale pouco um alfinete; mas, na realidade, pode exceder ao próprio vestido. Não exemplifico; o papel é pouco, não há senão o espaço de contar a minha aventura.
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